O ritual do casamento na igreja é muito bonito, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, no entanto, acredito que o sermão do padre poderia ser mais completo, mais adequado à realidade, veja:
‘Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?’
Acho simplista e pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:
‘Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu/sua amado(a), lembrando sempre que ele/ela não pertence a você e que está ao lado por livre e espontânea vontade?
Promete ser amigo(a) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena, um e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou uma pessoa menos romântica?
Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela set a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
Promete se deixar conhecer?
Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo, sem ficar escravizado pelo(a) outro(a) e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
Sendo assim, declaro-os marido e mulher de verdade.”
De Mário Quintana.
Liege e Helio
22 Novembro 2008
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