Primeiro de janeiro comemoramos o dia mundial da PAZ.
Definir PAZ é muito complexo, porém podemos partir de algumas premissas. A Europa, por exemplo, que teve seu povo massacrado por sucessivas guerras e passou por várias mudanças, aprendeu com sofrimento, democratização e educação, transformar-se na nação do euro que representa união de povos outrora inimigos. Hoje dizem ter PAZ.
No caso dos asiáticos, a existência de uma base fortemente religiosa e apassivadora, que sobrevive a regimes distintos, traz consigo um equilíbrio social e consequentemente uma forma de PAZ.
Os paises árabes que possuem uma complexidade de governos fechados, imperiais ou ditatoriais, e ainda várias religiões extremistas, onde não raramente, governo e religião se misturam, passam por desentendimentos na busca da PAZ.
Já na América Latina, os conflitos são amenizados pela religiosidade do povo que aceita passivamente governos corruptos aflorando ainda mais a desigualdade social e os serviços públicos de baixa qualidade. No entanto, estamos em tempo de PAZ.
Nós, seres humanos, somos sensíveis a mudanças. Quando envolvidos por oportunidades que tragam cobiça e poder, quedamos diante deles e, qualquer que seja a escolha, certamente gerarão desarmonia e cisão.
A princípio, os seres humanos criam teorias adequadas aos seus interesses mais imediatos, afastando-se da realidade que rege a criação. Dessa forma, dividem-se em facções preocupadas tão somente com os objetivos do seu grupo. Nesse caso, comprometem interesses dos outros, assim atiram na lama a tão sonhada paz.
Pois bem, a raiz do conflito está justamente na multiplicidade de escolhas a que somos submetidos. Cada uma dessa escolha nos levará a caminhos diversos que estarão também sujeitos a opiniões variadas. A verdade é que a humanidade avança celeremente sobre o tempo demarcado para a sua evolução.
Porque o ser humano vive de emoções. Um dos grandes vilões que nos deixam estagnados no caminho da PAZ chama-se ódio. O ressentimento que cada um guarda dentro de si é o principal responsável por nossa destruição. Achar que este ou aquele povo possui a verdade absoluta, tentar convencer paises que sua cultura não é a correta, desrespeitar as pessoas impondo seu Deus, são exemplos de atitudes que fragilizam cada vez mais a busca da paz no mundo contemporâneo.
Ao invés da busca pelo verdadeiro saber, o que temos oferecido às novas gerações são, de um lado a indiferença pelo significado espiritual da vida, estimulando-os a superficialidade e todos os tipos de abusos e excessos, através de filmes e leituras recheadas de perversões sexuais e violência. As novas gerações permanecem indolentes, como se não tivesse rumo. Do outro, ensina-se o ódio tomando-se por base as desigualdades econômicas, o militarismo prepotente, o modo de vida considerado pervertido e os antagonismos raciais e religiosos.
Em ambos os casos, falta-se o essencial. Falta-se o ensino da realidade espiritual da vida porque somos apenas passageiros, a terra é quem fica.
Se perguntasse a um marxista, certamente ele diria: socializar os meios de produção.
Um padre, diria: orar e jejuar, sem nada pedir em troca.
Um ambientalista, sem dúvida diria: o dia em que o homem respeitar a natureza, o equilíbrio estará estabelecido entre os povos.
Um pastor diria: somos iguais perante o pai, não havendo distinção entre sexo, raça ou cor, portanto, quando todos estiverem contribuindo com as obras do Senhor, a paz reinara entre os povos, e estaremos salvos.
Um sociólogo, provavelmente dirá: façamos uma mesa redonda com todos os acima citados para apontar um indício a ser perseguido.....
Pois bem, não existe uma receita de PAZ. Existe sim, um consenso geral no sentido de que vivenciar a PAZ é bem melhor que convier em conflito.
Hélio Silva é Presidente do Instituto Sociológico de Mato Grosso
01 Janeiro 2008
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